A DICOTOMIA MARCELO OLIVEIRA

marcelo.oliveiraNem mesmo os poemas de Drummond seriam capazes de contemplar tanta história em torno de um ser de tantos amores. Marcelo Oliveira, herói da praça, ídolo de dois rivais. Quem disse ser impossível agradar aos dois lados?

Eis a história: nascido e criado na saudosa Vila Olímpica, celeiro de galos de briga. Jogou, se esbaldou, fez incontáveis gols com sua cabeleira contra os ventos. Esteve presente num feito inédito do futebol mundial – um time vice-campeão brasileiro invicto. A história (quase) perfeita para um ídolo.

Mas para Marcelo não haviam limites e o destino tratou de desafia-lo. Sem as cabeleiras. Sem os dribles desconcertantes. Sem os gols. Cabia a ele levar o que era, até então, arquirrival, à seu caminho de glórias. A tragédia se anunciava, mas o casamento teve um final feliz. Marcelo driblava pelos pés de Everton Ribeiro, fazia gols pela presença de Goulart e se Telê Santana nunca teve o prazer de treinar a Raposa nascida e criada no Barro Preto, Marcelo o fez, corrigindo um erro histórico: campeão brasileiro, vencendo ao menos uma vez todos seus adversários. Bicampeão brasileiro. Reparo histórico, com correção monetária de cruzeiros para reais.

Mas o futebol não é telenovela. E nem sempre tem um final feliz. Aliás, nem sempre tem um final – afinal, a história ganha um novo capitulo. Sem as charangas dos anos 70 e 80, com certa desconfiança de um passado recente, menos terrão e mais glamour de Arenas e estádios reformados.

Marcelo Oliveira, a personagem principal de um poema entre dois amores – a dicotomia em pessoa – terá de levar ao time do Horto o êxtase que, até então, só conseguiu no palco do gigante Mineirão. Onde foi muito, muito feliz.

Cronista Mineiro (@cronistamineiro), aquele torcedor-escritor, que acredita no romantismo da bola e vive saudoso das narrações épicas do radinho de pilha, da cerveja gelada na arquibancada de cimento e do tempo de glórias das Minas Gerais – o maior centro de futebol do mundo.

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Uma resposta de “A DICOTOMIA MARCELO OLIVEIRA”

  1. camilla 25 de maio de 2016 at 18:31 #

    Texto lindíssimo! Partiu o coração dos atleticanos ao assumir o Cruzeiro, e agora parte o meu e de muito outros cruzeirenses ao ir para o Atlético.

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